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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Análises futebolísticas – Supremacia brasileira na Libertadores

Entre 1960 e 2023 foram disputadas exatamente 64 Copas Libertadores da América.

O torneio que reúne as melhores equipes de cada país é o sonho de todos os clubes pois eterniza o nome do vencedor em um rol exclusivo.

A própria Conmebol utiliza a expressão “glória eterna” para designar o atingimento da vitória na almejada competição.

Quem acompanha a competição e sua história verificará que nos primeiros anosa supremacia na competição era das equipes uruguaias e argentinas (ressalvados dois títulos históricos do Santos de Pelé em 1962 e 1963).

As vitórias brasileiras eram esporádicas e pontuais. Assim foram os títulos do Cruzeiro em 1976, do Flamengo em 1981 e do Grêmio em 1983.

Considerando a disputa de 64 competições dividimos a história da Libertadores em dois períodos de exatos 32 anos, sendo o primeiro de 1960 a 1991 e o segundo de 1992 a 2023 e obtivemos um resultado curioso no que se refere ao desempenho brasileiro na competição.

Com efeito, no primeiro período do recorte, das 32 edições do mais importante torneio continental verificamos que o Brasil se sagrou campeão em cinco oportunidades, já reportadas acima. Em outras palavras, nossa participação em títulos era de 15,6 %. Para se fazer um comparativo mais ilustrativo, somente o Independiente (Argentina) contava (e ainda conta!) com sete taças em 1991. O Penãrol (Uruguai), por sua vez contava com cinco títulos, ou seja, a mesma quantidade de todos os Brasileiros.

Mas o cenário de irrelevância da participação brasileira muda a partir de 1992, ano em que o São Paulo de Telê Santana ganha seu primeiro título, sucedido pelo bicampeonato de 1993 repetindo, trinta anos depois, o feito do Santo de Pelé.

Após os títulos do Tricolor Paulista não tardou ao Brasil voltar a ganhar a Copa Libertadores, tendo ainda na década de 1990 obtido mais quatro título (Grêmio – 1995, Cruzeiro – 1997, Vasco – 1998 e Palmeiras – 1999). Em outras palavras, os clubes brasileiros ganharam entre 1992 e 1998 mais títulos que nas 32 primeiras edições da Libertadores.

Os anos 2000 não foram tão vitoriosos, prevalecendo uma fase gloriosa do Boca Juniors, tetracampeão entre 2000 e 2007. O Brasil ainda ganharia os títulos de 2005, com o São Paulo e em 2006, com o Internacional de Porto Alegre. Foi uma década de muitos vices para o Brasil, como o do São Caetano para o Olímpia em 2002, do Santos para o Boca em 2003, do Grêmio para o mesmo Boca em 2007, além das derrotas em casa do Fluminense para a LDU em 2008 e do Cruzeiro para o Estudiantes em 2009.

A partir de 2010 o Brasil retoma com força seu protagonismo, sendo campeão no referido ano com o bicampeonato do Internacional de Porto Alegre, em 2011 com o Santos, e em 2012 e 2013 com os títulos inéditos de Corinthians e Atlético Mineiro, respectivamente. O período 2010/2013 foi a primeira sequência brasileira de quatro conquistas seguidas na Libertadores.

Entre 2014 e 2016 não tivemos conquistas brasileiras, as quais foram retomadas em 2017, com o tricampeonato do Grêmio.

Em 2018 o River Plate conquista a última Libertadores que não teve um campeão brasileiro.

De 2019 a 2023 a supremacia brasileira se consolida, com cinco títulos seguidos do Brasil (Flamengo – 2019 e 2022, Palmeiras – 2020 e 2021 e Fluminense – 2023).

Comparando-se os 32 primeiros campeonatos da Libertadores, em que clubes brasileiros conquistaram cinco troféus, com os últimos 32 anos, em que conquistamos 18 taças, verificamos um percentual de participação dos clubes brasileiros nos títulos de 56%, quase quatro vezes superior ao primeiro recorte (período de 1960-1991).

Observe-se que no recorte, para propiciar o comparativo de dois períodos iguais de trinta e dois anos, não computamos o ano de 2024, em que o título da Liberta mais uma vez ficará no Brasil, com Botafogo ou Atlético Mineiro.

A pujança do futebol brasileiro é reflexo do poderio financeiro ostentado pelos clubes nas últimas décadas, possibilitando a equipes nacionais contratar jogadores de ponta advindos, muitos deles, de clubes históricos do continente. Boca Juniors, Penãrol, River Plate, Nacional (URU) e Olímpia outrora eram gigantes cotados às conquistas. Hoje não ostentam nível de competitividade que amedronte os brasileiros.

A supremacia brasileira na conquista da Libertadores acreditamos durará um logo período, especialmente se considerarmos que clubes do Brasil, ainda que tardiamente, estão buscando a profissionalização.

Não seria desarrazoado conceber uma sequência de títulos brasileiros que supere uma década, ou até mais anos
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quarta-feira, 31 de julho de 2024

Lula, Maduro, Venezuela e um malabarismo diplomático

As eleições para a presidência da Venezuela, ocorridas no último dia 28/07, cheiram a fraude.

Pesquisas apontavam confortável vantagem para a oposição e, finalizada a eleição, em poucas horas o órgão eleitoral daquele país declara Maduro o grande vitorioso.

Grande o descaramento do mencionado órgão, denominado CNE, em declarar o ditador Maduro como reeleito.

O CNE, assim como a cúpula dos órgãos públicos venezuelanos, é formado por chavistas. Não existe isenção, não existe imparcialidade e, portanto, não existe credibilidade no que emana de um órgão como este.

Não se dignaram em apresentar atas das seções eleitorais. Provavelmente apresentarão em alguns dias as aludidas atas, possivelmente "confeccionadas" sob medida para declarar Maduro vencedor.

Lamentável a omissão do presidente Lula em opinar de modo mais contundente sobre este circo de horrores contra a democracia. Lula se limitou a sugerir que resta à oposição recorrer ao Judiciário, o qual é em sua cúpula simpático a Maduro.

Presidente Lula, você acredita no Judiciário venezuelando? Lá no fundo sabemos que não.

Nossa diplomacia pecou nas manifestações sobre o pleito venezuelano. Lula quer ser um líder regional, mas sem firmeza e coerência não se liderará nada.

Maduro "venceu", a democracia perdeu, e Lula se apequenou. Será cobrado pela sua omissão e passividade!

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Biden, a idade, o tempo . . .

A eleição americana interessa ao mundo, e não apenas aos viventes na terra do Tio Sam.

Em tempos de uma acentuada polarização política, a vitória do democrata representa o triunfo, ainda que momentâneo, sobre a ascensão da direita radical e populista, erguida sobre bravatas e desvarios. Biden encarna a direita sensata e racional, que ostenta condições de governar com equilíbrio e lucidez.

Mas Biden tem 81 anos e o tempo e a idade devem ser sempre respeitados, seja no que trazem de bom, seja no que trazem de ruim.

Biden tem história, coerência, conteúdo, sabedoria, mas as dúvidas sobre suas condições físicas para liderar a nação mais poderosa militar e economicamente são concretas e inafastáveis.

O insano Trump assiste de camarote a um cenário em que o cargo eletivo mais relevante no mundo está para cair em seu colo, sem grande esforço.

Os Democratas estão em uma encruzilhada. Mesmo em eventual desistência de Biden (que, entendemos, seria racional e nobre!), não se vislumbra um Plano B viável. Kamala Harris, embora jovem e competente, parece não ter condições de "decolar" junto ao eleitorado, haja vista pesquisas que a colocam abaixo de Trump na corrida à Casa Branca.

Michelle Obama teria maior aceitação, mas o detalhe é que a ex-primeira dama nunca deu demonstrações claras de almejar o cargo.

Tal como aqui, os EUA padecem da falta de novos líderes nacionais, aptos a conduzir os destinos daquela gigante nação.

Aguardemos o desenrolar da história!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Prefeito, um cargo para corajosos!

Aproximam-se as eleições municipais e muitos potenciais candidatos estão na expectativa de colocar o bloco na rua com vistas a alcançar o almejado cargo de prefeito.


Muitos dos pleiteantes ao cargo máximo do Executivo Municipal movem-se imbuídos de vaidade pessoal. Outros, pelo desafio decorrente da complexidade do cargo. Alguns, ainda visando expandir o poder de determinado partido em certa região, e assim por diante.

Mas cabe a pergunta: quantos refletem e meditam sobre as dificuldades pertinentes ao exercício de cargo tão relevante e desafiador, especialmente num cenário de implementação de reforma tributária, à qual se atribui o efeito de reduzir arrecadação municipal?

Com efeito, não é raro nos depararmos com candidatos vitoriosos nas urnas mas que vivenciaram grandes fracassos à frente do Executivo Municipal.

O cargo de prefeito não é para aventureiros, ou para meros idealistas. É preciso esfoto, estrutura, resiliência, experiência e maturidade política pois do contrário o insucesso baterá às portas.

Não raro, egressos do Legislativo, vitoriosos no pleito e com a caneta do Executivo na mão se perdem, andam em círculos, titubeiam, vacilam quando confrontados com questões difíceis, enfim, sucumbem perante as diuturnas e complexas demandas municipais.

Candidatos com pequena vivência política igualmente podem sucumbir. Lidar sabiamente com o Parlamento Municipal é para poucos, e exige experiência, maturidade política.

O respeito ao eleitor começa com o questionamento que todo candidato à prefeitura deve fazer: tenho experiência e competência para montar uma equipe qualificada e, junto com esta, administrar as demandas da cidade e de sua população? Quem não se faz esta pergunta é aventureiro e está movido por interesses meramente pessoais, e destes temos de ter distância.

Cargo de prefeito é para corajosos, não para aventureiros irresponsáveis!