
A redemocratização dos países da América do Sul é fato recente. Não faz tanto tempo assim que países como Chile, Brasil, Argentina e Peru viviam sob regimes políticos de exceção, onde a vontade do povo era sufocada por governos autoritários, normalmente de feição militar.
Pois superada a fase dos regimes ditatoriais parecia que a América do Sul, pobre economicamente, poderia modernizar-se, pelo menos em termos políticos. Neste contexto brasileiros, argentinos e outros povos voltaram a eleger diretamente seus governantes. A verdadeira democracia parecia instalada.
Pois, para a total decepção dos defensores da soberania popular, fatos recentes tem demonstrado que os regimes democráticos estão a perigo em diversas nações da América do Sul.
Embora os ataques à democracia hoje sejam menos violentos e explícitos que os dos golpes militares das décadas de 60, 70 e 80, não há dúvida de que em nações como Venezuela, Equador e Colômbia o regime político democrático gradativamente deixa de ser real e passa a ser puramente simbólico. A possibilidade de reiteradas eleições dos presidentes destes países viabiliza a criação de uma ditadura disfarçada, na qual os líderes populistas destas nações se veem em plenas condições de se perpetuarem indefinidamente no poder.
Hugo Chavez (Venezuela), Álvaro Uribe (Colômbia) e Rafael Correa (Equador) aparentemente bem captaram os ensinamentos do mestre da ciência política Nicolau Maquiavel, que ensinou os caminhos para a manutenção do poder político pelo governante.
O Brasil, que figura como nação mais poderosa do continente, seja em termos econômicos, seja em termos de importância política no cenário mundial, dá um exemplo, na medida em que o terceiro mandato de Lula, embora defendido por muitos, não se concretizará, e nosso governo federal poderá, em 2.010, ser substituído, possibilitando assim a saudável alternância do poder.
Aguardemos o desenrolar da história sulamericana, torcendo para que não retornemos aos negros anos dos regimes ditatoriais que, num passado não tão distante, tanto atraso e sofrimento trouxeram a nações vizinhas, e mesmo ao nosso país.
Publicado no "Jornal de Uberaba", de 17.09.2009.