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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Descompromisso

A ascensão a um cargo no Legislativo é motivo de honra e especialmente de gratidão para o candidato eleito, o qual deve esforçar-se ao máximo para atender às expectativas e aos anseios daqueles que nele confiaram e depositaram a esperança de boas ações e projetos por parte daquele.

Causa estranheza, e muita decepção, a atitude de parlamentares que, investidos de um mandato no legislativo, não titubeiam em dar as costas ao mesmo para assumir outros cargos, normalmente no poder executivo.

Virou prática comum a de deputados, senadores e até vereadores abdicarem, pelo menos temporariamente, de seus mandatos no legislativo para, traindo a confiança e esperança de seus eleitores, e pensando muitas vezes em seu próprio benefício, assumir secretarias e outros cargos diversos.

Este descompromisso absoluto com o eleitorado evidencia a total falta de princípios éticos e a inexistência de um projeto parlamentar consistente e sério, o qual sucumbe ao primeiro convite para deixar a casa de leis que ocupa.

Quando votamos para um vereador ou deputado estamos a escolher um membro para nos representar no Legislativo. Quando eleito, se o outrora candidato licencia-se da casa para assumir cargos no executivo, perdemos automaticamente nosso representante. Candidato que assim age nada mais merece que o esquecimento, no próximo pleito.

Antes de migrar do Legislativo para o Executivo deveria o parlamentar pensar um pouco nos eleitores que estaria representando. Mas, no país do oportunismo e do carreirismo político, esperar um comportamento assim seria grande ingenuidade.

Publicado no Correio de Uberlândia, de 13.02.2011.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Decadência partidária

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro, popularmente conhecido como PMDB nasceu com ares de grande defensor dos valores democráticos, em tempos de repressão política e de restrição de direitos políticos e civis.
Diversos nomes de valor cerraram fileiras neste partido, merecendo destaque, dentre muitos, os de Tancredo Neves, em cuja pessoa a nação brasileira via a tradução dos valores éticos, libertários e democráticos de que tanto o Brasil necessitava ao final da Ditadura Militar; e de Ulisses Guimarães, que conduziu com maestria a elaboração, votação e aprovação da, senão perfeita, ao menos evoluída Constituição Cidadã de 1.988.
Conquanto o partido em apreço tenha uma origem nobilíssima, o passar dos anos não tem sido muito favorável à legenda, que viu desaparecer seus líderes históricos, sem que outros assumissem o comando do partido com a altivez e hombridade daqueles.
Hoje o PMDB ressente de uma grande liderança nacional. Apesar de ocupar a vice-presidência da República, o partido não mais possui em seus quadros figuras carismáticas e de voz política forte junto ao eleitorado. Sarney, Calheiros e companhia normalmente ganham as páginas dos jornais mais pelos escândalos em que se envolvem do que propriamente pelos princípios que defendem.
Outrossim, a acentuada a ligação peemedebista a quem está a deter o poder, independentemente de que corrente ideológica seja o partido (veja-se que o PMDB apoiou tanto o PSDB de FHC, quanto o PT de Lula e Dilma), evidencia que esta legenda está muito mais preocupada em usufruir de uma parte do bolo do poder do que defender um projeto de nação para os brasileiros. Esta promiscuidade partidária causa pleito após pleito o descrédito dos adeptos da legenda, pois traduz um absoluto vazio ideológico.
Talvez hoje o PMDB necessite de uma refundação, não meramente de nome, como o fez o Democratas (antigo PFL), mas sim uma refundação ideológica e de conduta no âmbito da política nacional. Mas para que tal reformulação ocorresse necessitaríamos de novos líderes, pois as figuras que hoje comandam o partido estão muito bem acomodadas politicamente e por certo não desejam alterar um estado de coisas que tanto os beneficia.
É lamentável ver um partido que há duas décadas encerrava princípios tão caros e importantes hoje brigando abertamente por ministérios e cargos do segundo escalão do poder federal, recorrendo até a chantagens sobre votação do salário mínimo para conseguir seu intento.
Tancredo e Ulisses seguramente não teriam muito do que se orgulhar hoje em dia.


Publicado no Jornal da Manhã de Uberaba, de 07.03.2011.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Drogas: uma abordagem complexa


No fim de novembro de 2.010, numa ação televisionada e que envolveu esforços das polícias civil, federal, militar e ainda o apoio das forças armadas o "Morro do Alemão", no Rio de Janeiro, se viu liberto do tráfico de drogas.

Num espetáculo quase cinematográfico os bandidos foram expulsos de seus quartéis generais, e a paz e a segurança voltaram àquela megafavela carioca, depois de décadas de opressão dos criminosos.

A rapidez com que o "Morro do Alemão" foi liberto dos traficantes traz a falsa e inocente impressão de que é fácil enfrentar e conter o problema das drogas. Em verdade, o que vimos no Rio de Janeiro não foi a destruição de instituições criminosas, mas tão somente a expulsão das mesmas para outras regiões, onde poderão se reorganizar e voltar à sua rentável rotina de crimes.

A expansão do tráfico de drogas no Brasil é fato facilmente perceptível, o que demonstra a absoluta inaptidão e ineficiência de nossas autoridades em desenvolver e aplicar um programa integrado de combate e controle do mesmo.

O Brasil tem fronteiras terrestres mais de quinze mil quilômetros de extensão, a grande maioria desta com vigilância precária ou inexistente, dando todas as condições para que drogas e armas adentrem ao país vindo sobretudo da Colômbia, Paraguai e Bolívia. Nosso espaço aéreo tem um policiamento extremamente falho, especialmente em áreas pouco povoadas de Mato Grosso e Amazonas.

Lado outro, o tráfico de drogas encontra-se cada vez mais organizado, mantendo uma estrutura com administração quase empresarial, que movimenta grande quantias em dinheiro, e conta com a participação de agentes estatais corrompidos.

Hoje no Brasil a pena para quem incorre no delito de tráfico de drogas é de no máximo quinze anos, podendo o condenado submeter-se a progressão de regime. Ora, os chefões do tráfico nunca se ressocializarão, pois o ganhos do crime sempre serão atraentes. Logo, estas pessoas devem ficar o máximo de tempo possível afastadas do convívio social, pelo bem da sociedade, que só tem a perder com estas presenças deletérias.

Mais do que manter os traficantes por um prazo razoável na prisão, esta deve ser capacitada a impedir o criminoso de, mesmo recluso, comandar sua organização criminosa, como se tem visto atualmente.

Por fim, não basta coibir o tráfico, deve-se atuar na sua razão de ser, que é o consumo de drogas. Muitos dos usuários, talvez a maioria, tem interesse em abandonar o vício e retomar uma vida saudável e feliz, porém é fato que o sistema público de saúde não dispõe de estrutura e de programas adequados à abordagem e enfrentamento consistente do problema.

A complexidade da problemática das drogas demanda não apenas o uso da força, mas também da inteligência e de um desenvolvimento de programas que, atuando sobre os usuários, reduzam o mercado consumidor dos entorpecentes.

Diante da problemática das drogas não devemos nos iludir e imaginar que a solução é simplória. Somente com uma ação integrada de diversos setores do estado, não apenas com o uso da força poderemos ver o tráfico de drogas, se não integralmente debelado, pelo menos minimizado e controlado

O ideal é parar de tratar os sintomas e curar o mal pela raiz.

Publicado no Jornal "Correio de Uberlândia", de 24.01.2011 e no "Jornal da Manhã", de Uberaba, de 24.02.2011.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

E lá se foi uma década!

A primeira década do século XXI está se findando.

Ao espocarem os fogos dos festejos da passagem do ano estaremos iniciando a segunda década deste século de avanços, incertezas e medos.

Os eventos que pontuaram os primeiros dez anos do século do século XXI foram bem sintomáticos do que poderemos vivenciar no desenrolar das décadas futuras.  

Muitos historiadores não titubeiam em afirmar que esta década, e o próprio século XXI, tiveram seu marco inicial no fatídico 11 de setembro de 2.001. Apesar de não concordar muito com a escolha de um episódio tão triste e lastimável para se pontuar o início de uma nova era, certo é que a paz pouco se fez presente no planeta durante esta década. Os palestinos e judeus continuam sem se entender, as Coreias teimam em colocar todo o planeta em alerta, ante a iminência um confronto nuclear, o Irã segue sua escalada de ódio, os americanos permanecem acreditando que bombas podem trazer paz.

No plano econômico, a crise financeira desencadeada pela iminente bancarrota de empresas e bancos americanos em 2.008 nos remeteram aos episódios da Queda da Bolsa de Nova Iorque em 1.929 e demonstraram a eterna fragilidade e a instabilidade do sistema capitalista, cujo colapso pode jogar milhões na miséria. 

No plano das relaçãos humanas nesta década que se finda a Internet e a proliferação das redes sociais trouxeram a falsa sensação de aproximação das pessoas, maquiando a solidão e o distanciamento que cada vez mais tem pautado a existência humana, especialmente nas nações mais desenvolvidas e nos grandes centros urbanos.

Por fim, mais preocupante que os conflitos armados e as instabilidades do sistema financeiro internacional são as questões climáticas que, embora sempre em voga, atingiram nesta década um grau de preocupação que vem mesmo a colocar em dúvida a sobrevivência humana na terra num futuro não muito distante. Pena é observar que as nações desenvolvidas continuam ignorando os problemas climáticos, relutando em não adotar medidas para conter o agravamento da situação.

Enfim, certo é que não há muito a se comemorar ao fim desta primeira década do século XXI e ao que parece a humanidade reluta em não renunciar ao seu caminho visivelmente autodestrutivo.

Estranho é observar que mesmo progredindo tecnologica e cientificamente a humanidade vê a paz, o amor e a felicidade como valores sempre distantes ou, quando obtidos, em risco permanente.

Entretanto, sempre que uma nova década se inicia devemos nos municiar de alegria e esperança. Deus presenteou o ser humano com grande conhecimento, e alguma sabedoria. Que nesta década que se inicia ouçamos pelo menos um pouco esta última, pois com sabedoria talvez possamos trilhar um futuro melhor.

Publicado no "Jornal da Manhã", de Uberaba/MG, de 03.01.2011 e no "Correio de Uberlândia", de 10.01.2011.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Censo 2010

Interessante como um censo, que basicamente se destina a colher dados demográficos para orientar as ações governamentais, pode provocar tanta polêmica em nossa cidade, como o Censo 2010, cujos dados o IBGE recente divulgou. Inicialmente, quando da divulgação da prévia da pesquisa, a qual indicava uma população ao redor de 570 mil habitantes, não foram poucos os que criticaram o censo, ao argumento de que era um "absurdo" a nossa cidade não ter pelo menos 700 mil pessoas. Num segundo momento, quando da divulgação dos resultados oficiais, muitos lamentaram a "perda" de nossa condição de segunda maior cidade de Minas, e de segunda maior cidade de interior do Brasil. Pessoalmente, fiquei muito satisfeito com o resultado do Censo 2010, e torço para que o censo da próxima década aponte um menor crescimento populacional para nossa cidade, pois é fato que quanto maiores se tornam as cidades, pior é a qualidade de vida experimentada pelos munícipes.

Publicado no jornal "Correio de Uberlândia", de 10.12.2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A emancipação do Triângulo Mineiro

Não há dúvidas de que a criação do estado do Triângulo Mineiro é jurídica, política e economicamente viável.

Nossos deputados constituintes, atentos à possível necessidade histórica de criação de novos estados no âmbito da federação brasileira, colocaram no Texto Constitucional de 1988 o Art. 18, Parágrafo 3º, o qual submete a criação de novos estados à manifestação da vontade popular, mediante plebiscito, e à aprovação de uma lei complementar, pelo Congresso Nacional.

Seguramente, um plebiscito realizado nos municípios da área territorial do futuro estado do Triângulo Mineiro não teria menos de noventa por cento de aprovação à criação da nova unidade federativa, dada a incontestável receptividade e simpatia do povo triangulino ao projeto.

Igualmente, o estado do Triângulo Mineiro teria plenas condições de se manter e se estruturar, eis que esta é uma das regiões mais ricas e de maior e mais consistente progresso econômico do país, seja na área industrial, seja no setor da agropecuária.

Cabe, então, um singelo questionamento: se o altivo povo do Triângulo deseja um estado próprio, se a Constituição Federal admite tal emancipação e se a região é estruturada economicamente, o que falta para o Estado do Triângulo converter-se numa realidade?

A nosso modesto sentir, falta engajamento político das lideranças triangulinas, as quais hoje não ostentam o mesmo espírito altivo, independente e combativo de outrora, preferindo manter uma relação quase de subordinação ao governo estadual, a quem interessa a manutenção do Triângulo sob os domínios mineiros.

Se à época da Assembleia Constituinte a atuação de políticos da região por muito pouco não resultou na criação do estado do Triângulo, nos dias de hoje, o que vemos é uma absoluta passividade e comodidade das autoridades políticas do Triângulo Mineiro, que têm preferido a sujeição ao poder central de BH à luta emancipacionista. A criação do estado triangulino a muitos desagrada, porém somente nos emanciparemos se enfrentarmos com vigor as autoridades que forem contrárias, ainda que entre elas esteja o governador do estado de Minas Gerais.

Não se trata de nutrir uma aversão ou rivalidade com estado de Minas Gerais, cuja cultura e história sempre hão de ser louvadas e respeitadas, mas apenas de se reconhecer a força e o potencial econômico das cidades da Região do Triângulo, bem como a sua distinta identidade histórica, a qual não teve a mesma formação do restante do Estado. Tal reconhecimento somente se concretizará com a criação do estado triangulino, ocasião em que o povo de nossa região poderá deliberar sobre seus interesses, objetivos e anseios.

O povo do Triângulo é maduro e empreendedor o suficiente para desejar o poder de se governar e determinar seus destinos. Imagino que ainda nos é dado sonhar com um autônomo e progressista estado do Triângulo Mineiro. Quem viver verá!

Publicado no Jornal da Manhã, de Uberaba, de 25.11.2010.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Triângulo Mineiro


Sábias e pertinentes as palavras do jornalista Antônio Pereira da Silva em seu artigo “Estado do Triângulo”. Pode observar o nobre escriba que uma simples partida de futebol é suficiente para evidenciar as enormes e históricas diferenças entre nós triangulinos e nossos queridos vizinhos, os mineiros. Faria apenas uma ponderação, penso não sermos mais paulistas que mineiros.

Em verdade, o povo do Triângulo, a meu ver, resultou de uma miscigenação de pessoas vindas de distintas origens, especialmente, de São Paulo e Goiás e de outras regiões das Minas Gerais. Tenho profundo respeito pela cultura mineira e pelo vizinho Estado de Minas Gerais, mas, sinceramente, ainda desejo ver a identidade triangulina respeitada e isto só ocorrerá com nossa emancipação e a criação de um novo Estado.

Publicado no jornal "Correio de Uberlândia", de 18.11.2010.