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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Drogas: uma abordagem complexa


No fim de novembro de 2.010, numa ação televisionada e que envolveu esforços das polícias civil, federal, militar e ainda o apoio das forças armadas o "Morro do Alemão", no Rio de Janeiro, se viu liberto do tráfico de drogas.

Num espetáculo quase cinematográfico os bandidos foram expulsos de seus quartéis generais, e a paz e a segurança voltaram àquela megafavela carioca, depois de décadas de opressão dos criminosos.

A rapidez com que o "Morro do Alemão" foi liberto dos traficantes traz a falsa e inocente impressão de que é fácil enfrentar e conter o problema das drogas. Em verdade, o que vimos no Rio de Janeiro não foi a destruição de instituições criminosas, mas tão somente a expulsão das mesmas para outras regiões, onde poderão se reorganizar e voltar à sua rentável rotina de crimes.

A expansão do tráfico de drogas no Brasil é fato facilmente perceptível, o que demonstra a absoluta inaptidão e ineficiência de nossas autoridades em desenvolver e aplicar um programa integrado de combate e controle do mesmo.

O Brasil tem fronteiras terrestres mais de quinze mil quilômetros de extensão, a grande maioria desta com vigilância precária ou inexistente, dando todas as condições para que drogas e armas adentrem ao país vindo sobretudo da Colômbia, Paraguai e Bolívia. Nosso espaço aéreo tem um policiamento extremamente falho, especialmente em áreas pouco povoadas de Mato Grosso e Amazonas.

Lado outro, o tráfico de drogas encontra-se cada vez mais organizado, mantendo uma estrutura com administração quase empresarial, que movimenta grande quantias em dinheiro, e conta com a participação de agentes estatais corrompidos.

Hoje no Brasil a pena para quem incorre no delito de tráfico de drogas é de no máximo quinze anos, podendo o condenado submeter-se a progressão de regime. Ora, os chefões do tráfico nunca se ressocializarão, pois o ganhos do crime sempre serão atraentes. Logo, estas pessoas devem ficar o máximo de tempo possível afastadas do convívio social, pelo bem da sociedade, que só tem a perder com estas presenças deletérias.

Mais do que manter os traficantes por um prazo razoável na prisão, esta deve ser capacitada a impedir o criminoso de, mesmo recluso, comandar sua organização criminosa, como se tem visto atualmente.

Por fim, não basta coibir o tráfico, deve-se atuar na sua razão de ser, que é o consumo de drogas. Muitos dos usuários, talvez a maioria, tem interesse em abandonar o vício e retomar uma vida saudável e feliz, porém é fato que o sistema público de saúde não dispõe de estrutura e de programas adequados à abordagem e enfrentamento consistente do problema.

A complexidade da problemática das drogas demanda não apenas o uso da força, mas também da inteligência e de um desenvolvimento de programas que, atuando sobre os usuários, reduzam o mercado consumidor dos entorpecentes.

Diante da problemática das drogas não devemos nos iludir e imaginar que a solução é simplória. Somente com uma ação integrada de diversos setores do estado, não apenas com o uso da força poderemos ver o tráfico de drogas, se não integralmente debelado, pelo menos minimizado e controlado

O ideal é parar de tratar os sintomas e curar o mal pela raiz.

Publicado no Jornal "Correio de Uberlândia", de 24.01.2011 e no "Jornal da Manhã", de Uberaba, de 24.02.2011.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

E lá se foi uma década!

A primeira década do século XXI está se findando.

Ao espocarem os fogos dos festejos da passagem do ano estaremos iniciando a segunda década deste século de avanços, incertezas e medos.

Os eventos que pontuaram os primeiros dez anos do século do século XXI foram bem sintomáticos do que poderemos vivenciar no desenrolar das décadas futuras.  

Muitos historiadores não titubeiam em afirmar que esta década, e o próprio século XXI, tiveram seu marco inicial no fatídico 11 de setembro de 2.001. Apesar de não concordar muito com a escolha de um episódio tão triste e lastimável para se pontuar o início de uma nova era, certo é que a paz pouco se fez presente no planeta durante esta década. Os palestinos e judeus continuam sem se entender, as Coreias teimam em colocar todo o planeta em alerta, ante a iminência um confronto nuclear, o Irã segue sua escalada de ódio, os americanos permanecem acreditando que bombas podem trazer paz.

No plano econômico, a crise financeira desencadeada pela iminente bancarrota de empresas e bancos americanos em 2.008 nos remeteram aos episódios da Queda da Bolsa de Nova Iorque em 1.929 e demonstraram a eterna fragilidade e a instabilidade do sistema capitalista, cujo colapso pode jogar milhões na miséria. 

No plano das relaçãos humanas nesta década que se finda a Internet e a proliferação das redes sociais trouxeram a falsa sensação de aproximação das pessoas, maquiando a solidão e o distanciamento que cada vez mais tem pautado a existência humana, especialmente nas nações mais desenvolvidas e nos grandes centros urbanos.

Por fim, mais preocupante que os conflitos armados e as instabilidades do sistema financeiro internacional são as questões climáticas que, embora sempre em voga, atingiram nesta década um grau de preocupação que vem mesmo a colocar em dúvida a sobrevivência humana na terra num futuro não muito distante. Pena é observar que as nações desenvolvidas continuam ignorando os problemas climáticos, relutando em não adotar medidas para conter o agravamento da situação.

Enfim, certo é que não há muito a se comemorar ao fim desta primeira década do século XXI e ao que parece a humanidade reluta em não renunciar ao seu caminho visivelmente autodestrutivo.

Estranho é observar que mesmo progredindo tecnologica e cientificamente a humanidade vê a paz, o amor e a felicidade como valores sempre distantes ou, quando obtidos, em risco permanente.

Entretanto, sempre que uma nova década se inicia devemos nos municiar de alegria e esperança. Deus presenteou o ser humano com grande conhecimento, e alguma sabedoria. Que nesta década que se inicia ouçamos pelo menos um pouco esta última, pois com sabedoria talvez possamos trilhar um futuro melhor.

Publicado no "Jornal da Manhã", de Uberaba/MG, de 03.01.2011 e no "Correio de Uberlândia", de 10.01.2011.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Censo 2010

Interessante como um censo, que basicamente se destina a colher dados demográficos para orientar as ações governamentais, pode provocar tanta polêmica em nossa cidade, como o Censo 2010, cujos dados o IBGE recente divulgou. Inicialmente, quando da divulgação da prévia da pesquisa, a qual indicava uma população ao redor de 570 mil habitantes, não foram poucos os que criticaram o censo, ao argumento de que era um "absurdo" a nossa cidade não ter pelo menos 700 mil pessoas. Num segundo momento, quando da divulgação dos resultados oficiais, muitos lamentaram a "perda" de nossa condição de segunda maior cidade de Minas, e de segunda maior cidade de interior do Brasil. Pessoalmente, fiquei muito satisfeito com o resultado do Censo 2010, e torço para que o censo da próxima década aponte um menor crescimento populacional para nossa cidade, pois é fato que quanto maiores se tornam as cidades, pior é a qualidade de vida experimentada pelos munícipes.

Publicado no jornal "Correio de Uberlândia", de 10.12.2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A emancipação do Triângulo Mineiro

Não há dúvidas de que a criação do estado do Triângulo Mineiro é jurídica, política e economicamente viável.

Nossos deputados constituintes, atentos à possível necessidade histórica de criação de novos estados no âmbito da federação brasileira, colocaram no Texto Constitucional de 1988 o Art. 18, Parágrafo 3º, o qual submete a criação de novos estados à manifestação da vontade popular, mediante plebiscito, e à aprovação de uma lei complementar, pelo Congresso Nacional.

Seguramente, um plebiscito realizado nos municípios da área territorial do futuro estado do Triângulo Mineiro não teria menos de noventa por cento de aprovação à criação da nova unidade federativa, dada a incontestável receptividade e simpatia do povo triangulino ao projeto.

Igualmente, o estado do Triângulo Mineiro teria plenas condições de se manter e se estruturar, eis que esta é uma das regiões mais ricas e de maior e mais consistente progresso econômico do país, seja na área industrial, seja no setor da agropecuária.

Cabe, então, um singelo questionamento: se o altivo povo do Triângulo deseja um estado próprio, se a Constituição Federal admite tal emancipação e se a região é estruturada economicamente, o que falta para o Estado do Triângulo converter-se numa realidade?

A nosso modesto sentir, falta engajamento político das lideranças triangulinas, as quais hoje não ostentam o mesmo espírito altivo, independente e combativo de outrora, preferindo manter uma relação quase de subordinação ao governo estadual, a quem interessa a manutenção do Triângulo sob os domínios mineiros.

Se à época da Assembleia Constituinte a atuação de políticos da região por muito pouco não resultou na criação do estado do Triângulo, nos dias de hoje, o que vemos é uma absoluta passividade e comodidade das autoridades políticas do Triângulo Mineiro, que têm preferido a sujeição ao poder central de BH à luta emancipacionista. A criação do estado triangulino a muitos desagrada, porém somente nos emanciparemos se enfrentarmos com vigor as autoridades que forem contrárias, ainda que entre elas esteja o governador do estado de Minas Gerais.

Não se trata de nutrir uma aversão ou rivalidade com estado de Minas Gerais, cuja cultura e história sempre hão de ser louvadas e respeitadas, mas apenas de se reconhecer a força e o potencial econômico das cidades da Região do Triângulo, bem como a sua distinta identidade histórica, a qual não teve a mesma formação do restante do Estado. Tal reconhecimento somente se concretizará com a criação do estado triangulino, ocasião em que o povo de nossa região poderá deliberar sobre seus interesses, objetivos e anseios.

O povo do Triângulo é maduro e empreendedor o suficiente para desejar o poder de se governar e determinar seus destinos. Imagino que ainda nos é dado sonhar com um autônomo e progressista estado do Triângulo Mineiro. Quem viver verá!

Publicado no Jornal da Manhã, de Uberaba, de 25.11.2010.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Triângulo Mineiro


Sábias e pertinentes as palavras do jornalista Antônio Pereira da Silva em seu artigo “Estado do Triângulo”. Pode observar o nobre escriba que uma simples partida de futebol é suficiente para evidenciar as enormes e históricas diferenças entre nós triangulinos e nossos queridos vizinhos, os mineiros. Faria apenas uma ponderação, penso não sermos mais paulistas que mineiros.

Em verdade, o povo do Triângulo, a meu ver, resultou de uma miscigenação de pessoas vindas de distintas origens, especialmente, de São Paulo e Goiás e de outras regiões das Minas Gerais. Tenho profundo respeito pela cultura mineira e pelo vizinho Estado de Minas Gerais, mas, sinceramente, ainda desejo ver a identidade triangulina respeitada e isto só ocorrerá com nossa emancipação e a criação de um novo Estado.

Publicado no jornal "Correio de Uberlândia", de 18.11.2010.

Ingratidão

Lamentáveis as manifestações do treinador do Cruzeiro após a derrota para o São Paulo. Atribuir a vitória do tricolor paulista ao apoio que aquela equipe teve de sua torcida, teoricamente em maior número no Parque do Sabiá, é algo risível. Devemos lembrar que contra o Atlético Mineiro só havia cruzeirenses no estádio e, mesmo assim, por pouco não levaram uma goleada histórica.

Outrossim, em Sete Lagoas, para onde o técnico Cuca deseja levar seu time, o Cruzeiro foi derrotado no mesmo Brasileirão por 1x0. Enquanto a Raposa vinha ganhando pelo placar mínimo parecia haver uma lua de mel entre o clube e a cidade de Uberlândia. Bastaram duas derrotas para o torcedor uberlandense de apoiador ser considerando o grande culpado pela crise cruzeirense. Talvez seja a hora de o Cruzeiro se despedir de Uberlândia.

Artigo publicado no jornal "Correio de Uberlândia", de 11.11.2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sucesso garantido

Tenho lido com atenção os comentários do preclaro Ivan Santos acerca da eleição da Sra. Dilma Rousseff e, com a devida vênia, não posso concordar com a alcunha de "poste", atribuída pelo jornalista à futura presidente. Nesta eleição foram violentos os ataques à candidata Dilma, perpetrados anonimamente por opositores que se valeram, sobretudo, da Internet para macular sua imagem e pintar com as cores do ódio seu passado de militante de esquerda.

Dilma superou todas estas vicissitudes e com uma grande vantagem ascendeu ao posto político mais alto do Brasil, deixando para trás um candidato de passado respeitado, mas que representa uma ideologia falida, cujo retorno ao poder o povo não mais admite.

Não acredito ser adequado depreciar a pessoa da nova presidente, pelo simples fato de ter sido apoiada com grande afinco pelo presidente Lula e ter neste apoio uma das razões de sua vitória. Dilma terá confortável maioria na Câmara e no Senado, administra um país que está entre os que mais crescem no mundo e trabalha há mais de cinco anos na antessala do presidente Lula, ou seja, sabe muito bem os princípios que nortearam a retomada do desenvolvimento deste país, depois de anos de governo FHC, onde não nos era dado esperar muito do futuro do Brasil. Os críticos podem torcer contra, mas o sucesso de Dilma e do Brasil está garantido.

Em termos de carisma Dilma não chega aos pés de Lula, mas tecnicamente, é muito superior. Maior prova disto é que chegou ao governo para administrar a complexa pasta das Minas e Energia, cuja péssima condução na era FHC provocou o apagão de 2001, e administrou tão bem este setor que hoje o Brasil tem uma matriz energética que tem suportado com sucesso o progresso econômico do país.

Não faltarão críticos da Sra. Dilma, os quais egoisticamente torcerão pelo seu fracasso, entretanto hoje vivemos em um país que retomou o caminho do progresso. Torcemos muito pelo sucesso de Dilma, pois só ele poderá sufocar o pranto dos saudosistas do neoliberalismo de FHC.

Publicado no jornal "Correio de Uberlândia" de 06.11.2010.